Odelmo fala de sua administração e de como está deixando Uberlândia

Pela terceira vez em sua administração estamos interrompendo os trabalhos do prefeito Odelmo Leão, atarefado com os últimos afazeres de seu segundo mandato à frente do município de Uberlândia, para uma entrevista exclusiva, onde vamos perguntar o que queremos e com certeza escutar aquilo que o mandatário do município tem sempre pronto e de imediato para respostas.

Dystak’s – O senhor irá abrir as portas do Centro Administrativo para o trabalho da equipe de transição da próxima administração. Como está o coração?

Odelmo – Estou absolutamente tranquilo para operar a transição. Estamos preparados para oferecer todas as informações que a equipe do novo prefeito requisitar, em um clima de respeito e civilidade. Meu coração está muito bem.

Quando foi que ficou mais saudade: quando deixou o Exército, o sistema bancário, o Sindicato Rural, secretaria de estado, deputado federal ou agora como prefeito em seu segundo mandato que termina em 30 dias?

Todos os bons momentos de nossa vida, como esses que você relacionou, deixam saudades. Principalmente quando temos consciência de que em todos esses instantes agimos com correção, lisura e bondade no coração.

Foi mais difícil administrar no primeiro mandato, onde o senhor começou com contas atrasadas, serviços por fazer, servidores insatisfeitos, ou agora de 2009 a 2012?

Quando resolvi ser candidato a prefeito de Uberlândia sabia o que me esperava. Nunca tive medo de enfrentar desafios, por isso soube vencer as dificuldades iniciais do meu primeiro mandato com a firmeza, a determinação e a disposição que jamais me faltaram e que continuaram a me acompanhar no segundo mandato.

No setor de obras, qual foi aquela que lhe deixou mais satisfeito e realizado?

Eu estou encerrando o meu segundo mandato e continuo inaugurando obras em todas as áreas da Administração. Orgulho-me de tudo o que pude fazer, pois trabalhei para as pessoas, para acolher suas reivindicações, satisfazer os seus anseios. Mas para não deixar sua pergunta sem uma resposta direta, eu indicaria o Hospital e Maternidade Dr. Odelmo Leão Carneiro, porque ele lida com aquilo que é fundamental para o ser humano: a vida. E porque é uma obra essencial, definitiva, que projetou Uberlândia como referência nacional em saúde pública e que, por isso, é hoje um orgulho para toda a cidade.

O senhor já disse dezenas de vezes que não pode dar dinheiro público para o Uberlândia Esporte. A infraestrutura esportiva da cidade fica completa ou tem algo por fazer para que sejamos grandes no futuro, especialmente no esporte amador?

Por uma questão de princípios eu não transferi recursos em espécie para o Uberlândia Esporte Clube, mas pude ajudá-lo de várias outras formas, por meio de apoio logístico, material e colocando à sua disposição toda a nossa estrutura esportiva. Acho que Uberlândia está inteiramente preparada para se transformar em um grande centro esportivo, inclusive já escolhida para sub-sediar a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016.

Parque do Sabiá, Sabiazinho, Parque Aquático e os poliesportivos. Realizou o que queria?

Creio que sim, embora saiba que sempre surgirão novas demandas. Demos também muita atenção ao esporte escolar, inclusive com a construção de novas quadras e a instituição das olimpíadas estudantis. Enfim, procurei tratar o esporte como fator de inclusão social e promoção humana.

Virgílio Galassi ficou com um crédito junto à CEMIG para trazer água da represa de Miranda para Uberlândia. O senhor está deixando pronto no DMAE o projeto para que a água seja captada da Usina de Capim Branco. Quando o senhor acha que o serviço vai funcionar?

O projeto Capim Branco deverá ser desenvolvido por etapas. De acordo com o que está previsto, a primeira etapa seria concluída em 2016, a segunda em 2032 e a terceira e última etapa iria até 2060, para então atender uma população de até três milhões de habitantes. O sistema hoje em funcionamento já é suficiente para abastecer uma cidade com mais de um milhão de habitantes.

Plantio de árvores, passarelas e pontes de transição sobre o rio Uberabinha estão ficando prontos com um serviço de primeiro mundo. Isto o deixa realizado em relação à despoluição do rio, trabalho este que o senhor ajudou a angariar verba quando deputado federal e o esgoto foi canalizado?

Realmente a minha preocupação com a despoluição do rio Uberabinha vem desde o meu ingresso na vida pública. Viabilizei verbas como deputado federal para a sua canalização e como prefeito procurei cuidar muito bem do rio e de suas margens. Desenvolvemos o Projeto Buritis, preservando as nascentes e recuperando as matas ciliares, criamos os parques lineares, realizamos obras viárias que contribuíram para que o Uberabinha se transformasse realmente em uma referência ambiental.

Na saúde o senhor começou com a guerra contra a dengue. Veio o Hospital Municipal, UAI’s e outras melhorias. Uberlândia está pronta para a população de um milhão de habitantes?

Eu tenho muito orgulho da obra que realizei na área da saúde, a começar com o árduo e vigoroso trabalho para vencer a dengue. Não tenho receio em afirmar que Uberlândia dispõe, hoje, de um dos melhores sistemas de saúde pública (e privada) de todo o país. É claro que ainda há problemas a superar, que tendem a crescer na medida em que a população aumenta. A carência de leitos é uma realidade. A saúde será sempre um setor a exigir permanentes esforços dos administradores públicos e o município jamais poderá prescindir da ajuda do Estado e da União. Tenho consciência de que fiz o que estava ao meu alcance, cumpri a minha obrigação. Deixo a cidade preparada para suportar a demanda atual e continuar crescendo no atendimento à sua população.

Está deixando o Hospital Municipal como o senhor queria?

Sim, com um funcionamento exemplar, digno da admiração de todos os seus usuários e alvo de elogios de todos aqueles que o visitam, inclusive inúmeras autoridades e delegações de outras cidades, que têm buscado o Hospital Municipal como referência.

Na Câmara Municipal, o apoio que o prefeito precisava foi positivo?

Sem dúvida, jamais me faltou o apoio incondicional de minha bancada, com quem sempre mantive um diálogo sincero e elevado. A oposição procurou cumprir o seu papel, às vezes com alguns excessos, mas, via de regra, votou favoravelmente à grande maioria dos projetos que encaminhei ao Legislativo, certamente porque atendiam o interesse público.

As promotorias sempre entraram em diversas ações do seu governo. Algo que o deixou magoado com os resultados, ou saiu tudo dentro do consenso?

Os promotores procuram agir de acordo com suas atribuições constitucionais, por isso não me cabe discutir suas iniciativas, mesmo quando possa delas discordar. Nosso relacionamento com os promotores sempre foi conduzido em nível elevado e respeitoso e, desse modo, resolvemos muitos conflitos pelo diálogo e pelo consenso, colocando o interesse público acima das possíveis divergências. Ademais, sempre procurei agir na mais absoluta legalidade, com a responsabilidade e o respeito que o cargo me exige.

Na sua opinião, o Centro da cidade foi beneficiado em sua administração, ou ficou como antes?

Em relação ao Centro da cidade o que fiz foi principalmente aprimorar a rotina administrativa, procurando ampliar e agilizar os serviços. Instalamos, com o Governo do Estado, as câmeras de videomonitoramento que melhoraram substancialmente a segurança do Centro, e deixamos pronto um importante projeto de revitalização. E, é claro, não se pode deixar de considerar que outras obras, como a da nova Rondon Pacheco com seus viadutos, e a Minervina Cândida, já com vistas a essa revitalização contribuíram decisivamente para beneficiar o Centro da cidade.

Comércio e Indústria. O que o senhor tem de elogiar ou criticar sobre os empresários?

Os empresários são parceiros da Administração, contribuem para o desenvolvimento de Uberlândia, geram emprego e renda. O Município é hoje o segundo maior criador de empregos no Estado, um dos maiores do Brasil, e isso é também resultado da positiva participação de nossos empresários.

Finalmente, depois de extensa luta, o senhor vai inaugurar o Teatro Municipal “Oscar Niemeyer”. Como foi essa luta de oito anos para chegar até a este grande evento?

Eu vejo o notável arquiteto Oscar Niemeyer que faleceu no dia 6 de dezembro com mais de cem anos de idade, e sinto o quanto é importante inaugurar esse teatro que ele projetou. Para mim será uma vitória pessoal, um dos momentos mais marcantes de toda a minha vida pública. Realmente foi uma luta de oito anos, que me exigiu enormes esforços, me custou inúmeras preocupações e até noites mal dormidas. Mas valeu a pena, não somente porque se trata de uma das últimas obras projetadas por Niemeyer, mas porque será um dos maiores e mais modernos espaços culturais do interior do Brasil, que possibilitará a Uberlândia e região receber peças teatrais e shows artísticos do mais alto nível, além de espetáculos e manifestações da cultura popular, obedecendo a concepção arquitetônica e social do projeto.

O senhor atuou no entorno de Uberlândia, sem deixar nenhum bairro sem assistência. Falta alguma coisa, ou o senhor acha que tem gente que reclama de barriga cheia?

Eu não acho que as pessoas reclamem “de barriga cheia”, principalmente as mais humildes. Quando pedem, principalmente quando o fazem de maneira coletiva, é porque realmente precisam. E a insatisfação é um fenômeno natural, comum ao ser humano, que sempre quer mais, mormente quando confia em que poderá ser atendido. O que o bom gestor deve fazer é colocar a sua sensibilidade de homem público a serviço da população a que deve atender e isso foi o que eu sempre fiz.

Na sua opinião estes 92% de aceitação popular de sua administração vem de que?

Exatamente pelo que acabei de dizer na resposta anterior. Creio que correspondi à expectativa das pessoas que confiaram em mim. Se não realizei tudo o que elas queriam, o que seria muito pretensioso de minha parte, certamente aproximei-me de seus desejos, conseguindo atender a maior parcela de suas demandas.

Como cidadão, o que será avaliado pelo Odelmo quando passar pelos viadutos da Rondon com a João Naves e o da Nicomedes Alves dos Santos?

Cada escola, cada creche, cada unidade de saúde, cada equipamento social, cultural e esportivo, cada praça, cada viaduto, enfim, cada obra que ergui, da menor à mais expressiva, será sempre lembrada por mim com carinho e com orgulho, um tijolo a mais que assentei na construção desta fantástica cidade.

Caso tivéssemos mais um mandato pela frente, qual seria a fonte de inspiração nos trabalhos do atual prefeito?

Continuaria trabalhando pelas pessoas, agregando a experiência que acumulei ao longo desses oito anos como prefeito à enorme vontade de servir o meu povo cada vez melhor e com maior zelo e dedicação.

O senhor acha que as nossas crianças estão devidamente assistidas dentro do sistema escolar, com o fornecimento de materiais, merendas e novas escolas em todos os bairros?

Estou certo que sim, a educação em Uberlândia pode ser considerada uma das melhores do Brasil. Durante meus dois mandatos, a educação não foi apenas um tema de discurso, tão comum na boca dos políticos, mas uma prática permanente, que resultou em aumento de recursos e, consequentemente, mais prédios escolares, mais vagas, mais respeito e atenção aos profissionais, melhor qualidade de ensino. Recebemos várias premiações na área educacional, inclusive nossa merenda escolar foi escolhida por órgãos do Governo Federal como a melhor do país.

Em sua administração a municipalidade enfrentou invasões, ocupações (e outras coisas de quem quer tudo de graça a tempo e a hora.) Quantas mil famílias vão ter moradias próprias ao final de seu governo?

O problema da falta de moradias é uma grande preocupação nacional. Compreendendo a gravidade do problema habitacional em Uberlândia, uma questão social que sempre mereceu minha atenção desde quando eu fui deputado federal, procurei encará-lo como uma das maiores prioridades de meu governo. Graças a um trabalho abnegado e incessante, conseguimos dotar pelo menos mais quase 20 mil novas famílias de moradias próprias, além de estarmos deixando projetos para novas construções populares. Quero crer que, proporcionalmente, nenhum município brasileiro avançou mais na área habitacional nesses últimos oito anos do que Uberlândia.

A Segurança Pública. O senhor sempre contribuiu, conseguindo viaturas e outros meios para o trabalho das equipes. Houve correspondência positiva no seu governo dentro das polícias federal, militar, civil e bombeiros, ou faltou alguma coisa por fazer, por parte dos servidores destas áreas?

Acho que o meu esforço junto ao governo do Estado para melhorar a segurança em nossa cidade obteve resultados bastante positivos. Mantivemos uma estreita e proveitosa relação com todas as áreas de segurança e isso contribuiu, sem dúvida, para um ganho no setor, que funcionou com muita sintonia.

Para realizar tantos trabalhos houve um desdobramento pessoal. A equipe, vereadores e o funcionalismo, colocaram as mãos na massa como deveriam?

Nada tenho a reclamar, ao contrário, só a agradecer. A colaboração foi constante e a harmonia prevaleceu no curso de todo o meu mandato.

No secretariado. Algum destaque, ou houve alguém que o decepcionou?

Cometeria injustiça se citasse algum nome em especial. De outro lado, não tenho nenhum motivo de queixa de qualquer secretário. Cada um, à sua maneira, procurou corresponder à minha confiança, todos cumpriram bem suas obrigações.

Dizem que a Imprensa é o quarto poder. Eu sinceramente acho que com a liberdade que temos, estamos disputando o primeiro lugar. Nesta área o senhor tem elogios ou críticas?

Eu já tive oportunidade de emitir, nesta mesma revista, minha opinião sobre o papel da imprensa, e vou repeti-la. O que eu penso é que a imprensa que procura cumprir com correção e dignidade a sua missão de informar, fiscalizar, opinar e orientar bem o leitor deve merecer todo o respeito e credibilidade. Ao contrário, deve ser desacreditada e repudiada a imprensa venal, parcial, tendenciosa, destrutiva. Em relação ao administrador, ao homem público, não se trata de ajudar ou incomodar, mas manter tal postura que lhe permita avaliar seus atos, manter os acertos e corrigir os equívocos: essa será a maior colaboração que a imprensa poderá prestar aos cidadãos, antes que aos governantes.

A inveja e o ódio são coisas que não devemos ter, para em alguma parte não saborearmos deste veneno. Nas críticas que o senhor recebeu alguma mágoa?

Magoar-se é humano, mas reter mágoas faz mal para a alma. Há críticas que realmente nos aborrecem, principalmente quando elas soam como injustiças, mas é bobagem guardá-las ou remoê-las.

Além de um bom descanso com a família, almoços e jantares com a esposa e os filhos, cuidados com seu patrimônio rural, o que será na vida do atual prefeito, e cidadão a partir do dia 1º de janeiro de 2013?

Há oito anos eu não tiro férias. Justo e humano, portanto, que ao deixar a Prefeitura eu me recolha com a família a um bom descanso. Depois…

Vamos ser os portadores, porque não é mais permitido o senhor fazer uma reunião com milhares de pessoas, estilo comício, para fazer os seus agradecimentos. Pela Dystak’s, o que o senhor diria às crianças, jovens e adultos, anônimos e pessoas de destaque nesta sua entrevista?

Há alguns meses, a Dystak’s em generosa homenagem que me prestou, pediu-me também uma mensagem de agradecimento ao povo de Uberlândia. Creio ser oportuno repetí-la, para dizer à querida gente da minha terra que sou-lhe imensamente grato pela honrosa oportunidade que me proporcionou de ser o seu prefeito por dois mandatos, depois de ter-me ajudado a me eleger deputado federal por quatro vezes consecutivas. Saio do governo com a cabeça erguida e a certeza de ter correspondido à confiança que em mim depositou o povo de Uberlândia, cumprindo satisfatoriamente a minha nobre missão. Sem falsa modéstia, estou seguro de que, no estrito cumprimento de minhas obrigações institucionais, deixo uma cidade bem melhor do que a encontrei. Rogo a Deus, que jamais deixou de me acompanhar, que abençoe os futuros governantes e continue a proteger e dar prosperidade a toda a valorosa população de nossa cidade.

 Para sair do feijão com arroz, o que o senhor tem acertado com o governador Antônio Anastasia e o senador Aécio Neves, para o futuro?

Que vamos continuar sendo amigos e nos encontrando e dialogando sempre que houver oportunidade ou necessidade.

Como fica o seu partido em Uberlândia?

Onde sempre esteve, a favor de Uberlândia e de seus cidadãos.

Prefeito, de nossa parte os parabéns pelas administrações 2005/2012, e os votos para que o senhor ocupe logo um lugar de destaque na política, ou qualquer área de administração, para que possa continuar trabalhando por Uberlândia.

Muito obrigado. Em qualquer lugar, momento ou circunstância, eu jamais deixarei de trabalhar por Uberlândia.

Como sempre, somos agradecidos e a Revista Dystak’s  e o programa Dystak’s na TV vão estar sempre ao seu dispor para cobertura aos seus excelentes trabalhos no futuro, pois acreditamos sempre no seu potencial.

Obrigado mais uma vez, e parabéns à Rede Dystak’s pelo importante trabalho que desenvolve em prol do crescimento de Uberlândia.

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