Foliões se divertiram nas melhores opções de Carnaval

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Por Lorraynne Oliveira –  Fotos: Beto Oliveira e Wanderlei Fortunato

 O carnaval é um assunto que quando se fala, imediatamente pensa-se em luxuosos desfiles regidos por grandes instrumentistas sambistas e mulheres estonteantes exibindo suas curvas corpóreas como forma de arte. A criatividade, sem dúvida é uma das palavras chaves deste evento já conhecido e vivido mundialmente em que diferentes são as formas de tratamento com a data, mas todos celebram felizes esta grande festa de acordo com seu país.

Originária do latim, Carnaval remete a prazeres da carne. Ou seja, prazeres estes que os gregos acreditavam que seriam alcançados através da farta alimentação. Os mesmos em troca agradeciam aos deuses pela fertilidade e produção do solo. Para a Igreja Católica, o período carnavalesco antecederia a quaresma, que em contrapartida seria o momento das privações. Esta comemoração começou na Grécia no ano III a.C, chegando ao Brasil por volta do século XVII.

Os brasileiros começaram a diversão carnavalesca no final do século XIX, quando surgiram os primeiros blocos, cordões e finalmente no século XX o luxo era os corsos (pessoas que fantasiavam, decoravam seus carros e em grupos desfilavam pelas ruas da cidade). A partir de então, surgiram os carros alegóricos que hoje uma tremenda visualização de alegria no Reinado de Momo.

Ao voltar para a preparação das folias em Uberlândia, é mostrado um novo termo para o evento – a Uberfolia – que aconteceu a partir de 1935. Na época, era um grupo liderado pelo radialista Coronel Hipopó e o empresário Oswaldo Naghettine que saiam em carros abertos da Estação da Mogiana, hoje Fórum Abelardo Penna, até a Praça Clarimundo Carneiro, onde funcionava a Prefeitura Municipal. Eram marchinhas falando sobre o Reinado de Momo e muitas outras brincadeiras sem abusos ou pornografias como imaginam os mais jovens.

Copiando os grandes carnavais pelo Brasil, em 1950, por iniciativa de Arlindo de Oliveira Filho, o general Lotinho, a cidade passou a ter desfiles de escolas de samba. O primeiro foi na Avenida Afonso Pena, logo depois nas avenidas João Pessoa, Belo Horizonte, Mato Grosso, João Naves de Ávila e finalmente chegando ao reduto do Parque do Sabiá, mais precisamente na Avenida José Roberto Migliorini, onde continua atraindo público para ver as apresentações de cada escola e seus foliões.

 

Carnaval 2016

 

Em Uberlândia, foi uma surpresa geral as participações de todas as comunidades em três noites de baile no Mercado Municipal e Praça Clarimundo Carneiro, além de dois dias de desfiles e três bailes na Avenida José Roberto Migliorini.

No sábado, dia seis de fevereiro, desfilaram três blocos concorrendo à classificação e aos prêmios oferecidos pela Secretaria de Cultura, obedecendo ao que havia sido acordado com os membros da Liga das Escolas de Samba. Desfilaram os blocos Axé, Estravasa e APARU, com vitória deste último, conquistando mais uma premiação em sua jornada carnavalesca.

No domingo desfilaram as escolas inscritas e já conhecidas do público, surgindo como novidade a Garras de Águia, que acabou sendo desclassificada por não apresentar os requisitos exigidos para o desfile. Na apresentação, entraram Acadêmicos do Samba, Unidos do Chatão, Garotos do Samba e a Tabajara, que mais uma vez levou para sua sede a premiação de primeiro lugar, conquistando pela 12ª vez o título do carnaval em Uberlândia.

 

Uberlândia exemplo no Carnaval

 

O Secretário Municipal de Cultura, Gilberto Neves, concedeu entrevista à Dystak’s, quando fez um balanço sobre as atividades culturais desenvolvidas durante o Carnaval. “Olha agora posso dizer que foi missão cumprida, mesmo enfrentando as dificuldades, conseguimos entregar para as escolas de samba todos os compromissos que fizemos após o Reinado de Momo em 2015, visando os desfiles de 2016”.

“Só foi possível fazer um carnaval de qualidade com a segurança e o apoio de todas as Secretarias Municipais, Polícia Militar e Bombeiros, finalmente podemos dizer que realizamos uma bonita festa”. Tudo começou com o desfile dos blocos no sábado, onde APARU, Estravasa e Axé, conseguiram arrancar aplausos do público presente no Recanto do Samba, no complexo do Parque Sabiá.

No domingo foram para a avenida cinco escolas, apresentando como novidade a Escola Garras de Águia, que infelizmente não conseguiu cumprir o regulamento e foi desclassificada. Participaram ainda as escolas Garotos do Samba, Tabajara, Acadêmicos do Samba e Unidos do Chatão. “Para mim, como secretário, foi um belo desfile! Temos que ressaltar a importância do evento para outros segmentos, especialmente os terceirizados que tiveram trabalho nos cinco dias, além de equipes que atuaram o ano todo fazendo os trabalhos de base para o grande carnaval. Além dos desfiles das escolas e blocos, a Secretaria conseguiu organizar ainda os grandes bailes shows, com NK2 no sábado, na segunda-feira tivemos dois shows com as bandas Serelepe e Só de Boa. Na terça-feira após o desfile das campeãs, houve ainda o baile de encerramento com o show do grupo D’Corpo Inteiro. E ainda, as noites de carnaval com as marchinhas e o grande movimento que começou na quarta-feira no Mercado Municipal. A animação foi da Lísias e banda, na quinta e sexta-feira, na Praça Clarimundo Carneiro, a chuva que caiu não atrapalhou as noitadas carnavalescas”.

“No dia 26 de março no Uberlândia Clube, acontecerá a entrega dos troféus e serão feitas as premiações aos primeiros colocados do carnaval de 2016. O aspecto da vontade de fazer e a colaboração de todos para realizarmos uma festa de alegria, como momento de diversão, fez com que todos nós enfrentássemos a crise. Tivemos a oportunidade de realizar um grande carnaval e eu como secretário tenho que agradecer a todos aqueles que contribuíram para este grande feito cultural na cidade de Uberlândia”, disse Gilberto Neves.

 

Os carnavalescos

 

Após o encerramento da festa, alguns foliões contaram histórias que o tempo jamais apagará pela importância de cada acontecimento.

O empresário Rafez Chacur, fundador da Escola Acadêmicos do Samba, afirma que “Deveria haver arquivos para lembrar a belíssima construção do Carnaval de Uberlândia, desde trios elétricos até os desfiles nas ruas da cidade. Sou grato aos bons momentos e sei que todo meu esforço valeu a pena”.

O folião contudo pontua um dos problemas na realização do evento, que se queixa pela falta de apoio financeiro para a festa. Otimista, Chacur parafraseia um trecho de livro: “Algumas pessoas contam histórias, já outras, fazem história”.

 

Baiano

 

O ex-vereador Hélio Ferraz Baiano, sambista e integrante da Tabajara que colabora com as escolas de samba de Uberlândia, afirmou a respeito do carnaval que: “Foram grandes as alegrias vividas durante o Reinado de Momo. Nós vimos uma ascendência muito grande das escolas de samba. Eu estou no carnaval fazendo um trabalho coletivo há 30 anos, onde a cultura, arte e pesquisa são fatores que nós olhamos com carinho. Aqui em Uberlândia, podemos destacar especialmente o carnaval de rua que movimenta o turismo na cidade. Temos que realizar gestão administrativa e muita publicidade para o encontro com a iniciativa privada e o poder público. Lembro que há 30 anos nós saíamos descalços, vestidos de índio, debaixo de uma chuva tremenda, na ocasião nem ligávamos para as dores nos pés e sim na alegria de ver a nossa escola na avenida. Na época a Tabajara estava sempre em último lugar. Tive a oportunidade de participar dos carnavais nas Avenidas Afonso Pena, Floriano Peixoto, João Pessoa, Belo Horizonte, Monsenhor Eduardo, João Naves de Ávila e hoje estamos no complexo do Parque Sabiá, ou mais precisamente na Avenida José Roberto Migliorini, que foi um grande empresário e colaborador do carnaval em Uberlândia”.

 

David Thomaz Neto

 

O sambista e vereador David Thomaz, integrante da Escola de Samba Tabajara, afirmou que: “A nossa escola faz um trabalho excelente e tem uma diretoria competente, acredito que vamos chegar a um número muito maior do que os 12 títulos de hoje se as demais escolas não se reinventarem. O desfile da Tabajara em 2016 ficou muito distante das outras concorrentes e para que os leitores tenham ideia, já existe uma equipe nossa no Rio de Janeiro, acertando detalhes e colhendo dados visando o nosso desfile em 2017”.

“As escolas deveriam trabalhar o ano inteiro como a Tabajara, os foliões têm que tirar proveito de carnavalescos com experiência e aí teremos disputas em nossa cidade”, afirmou David Thomaz.

Aqui em Uberlândia, a Assosamba, tem inclusive um galpão onde deveria funcionar a sede das escolas, mas infelizmente o mesmo está abandonado e servindo de abrigo para andarilhos e pessoas que guardam ali, as suas sucatas. “Falta gente de pulso para realizar os trabalhos de reestruturação e trazer de volta o local para o qual foi criado, gerando renda para as escolas e para todos os foliões da região”.

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