Dr. Hermilon Correa: “Eu só me arrependo daquilo que deixei de fazer”.

 

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No dia 15 de novembro de 1923, nasceu na cidade de Sacramento (MG), o médico Hermilon Correa, hoje com 93 anos, aproveita a vida, com os amigos, familiares e pessoas que ainda o procuram para falar de consultas realizadas no passado, conversar sobre outros assuntos e sobre a vida em geral.

Ele conversou bastante, mostrou o arquivo de fotos que possui e foi muito atencioso com o nosso diretor Mauro Mendonça, assim bem como foi com as pessoas que os procuraram em qualquer situação. Disse inclusive que orgulho e arrogância são coisas de pessoas sem princípios e que antes de serem, querem ter, subindo na “gilete” para os discursos.

A sua história marca fatos interessantes que pessoas pioneiras, amigas e humanas, suportam e passam por cima, enfrentando adversidades e procurando acima de tudo servir a quem precisa ser servido.

Apesar de ter nascido em Sacramento, Dr. Hermilon morou no Rio de Janeiro (RJ), onde formou e fez uma série de partos nas comunidades, onde apesar de ter pessoas honestas, hoje vive uma parte da marginalidade brasileira, mas ele afirma que nunca se importou com isto e que tem saudades daquele tempo.

“A minha vinda para Uberlândia, foi mais em virtude do namoro que tive com a minha esposa Norma Teixeira, filha do Tito Teixeira, era um desbravador aqui no então Sertão da Farinha Podre. Enfrentou adversidades, mas deixou uma série de coisas que até hoje servem de exemplos e geram riquezas para a região do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba. Pessoa que até hoje tem suas marcas de saudades em toda a região. Eu comecei a namorar a Norma em uma viagem que fiz a Sacramento. Ela estudava em um colégio interno no Rio de Janeiro e os finais de semana passava na casa da sogra do Dr. Oscar Moreira, um renomado médico que já atuava aqui em Uberlândia na época. Era namoro mesmo. Pegar na mão era para cumprimentos somente”, afirmou o Dr. Hermilon.

“Quando vim para Uberlândia, lembro que me hospedei no Hotel Colombo. Como as dificuldades eram muitas tive que ir para o Hotel Goiano, onde consegui um descontão e tudo era mais barato. Passei dois anos juntando dinheiro para casar, mas felizmente realizei o sonho e minha gloriosa esposa que era pianista do Conservatório de Música, ao lado da dona Cora, passou a me ajudar para que eu pudesse colocar em casa, um pouco do que ela sempre teve na vida”, afirmou o renomado médico.

Dr. Hermilon contou também que: “Hoje estou com 93 anos e me orgulho de ter trabalhado 75 anos, participado de grandes empreendimentos na cidade e ter realizado ao todo mais de 25 mil partos, mas a maioria de graça, ou enfrentando o processo do INPS que não permitia cesarianas. Era fiscalização permanente. No início de minha carreira realizava partos na zona rural. Sempre eram de graça, mas passei a exigir que me levassem de táxi, porque era o recurso e eu não podia arcar com tudo. Na época eu levava toda a estrutura para fazer os partos, e lembro-me que diante de qualquer problema e a qualquer hora, era eu quem ia atender. Tenho grandes recordações”.

Dr. Hermilon contou que quando chegou a Uberlândia tinham apenas 33 médicos. “Era uma vida de encontros e trocas de informações amigas, sem a concorrência de ser este ou aquele o melhor. Cada um trabalhava lutando pelas causas da saúde”.

“Nas histórias de minha vida, outro momento importante, foi quando assumimos a Casa de Saúde e Maternidade Santa Clara. Na ocasião o Dr. Rui Cotta Pacheco, comprou as instalações e colocou meu nome junto. Ali também atuava o Dr. Arnaldo Godoi, outro pioneiro da medicina em Uberlândia. Os anos foram passando a clientela aumentando e as necessidades também. Foi aí que surgiu a ideia de criação da Faculdade de Medicina, uma entidade que teve o apoio de muita gente que colaborou com rifas, almoços, jantares e outras promoções para arrecadarmos fundos para que tudo acontecesse, apesar de que a entidade hoje está passando por dificuldades, mesmo com uma estrutura que é modelo para todo o Brasil”.

“Outros fatos também marcaram minha vida, como a criação do Cajubá Country Club, onde frequento rotineiramente aos domingos. E a Unimed, uma entidade criada contra a minha vontade, mas que hoje é um exemplo para o país”, afirmou o experiente médico.

Dr. Hermilon também falou o sobre como está a sua vida atualmente e agradeceu as homenagens recebidas como reconhecimento do seu trabalho bem sucedido na medicina.

“Considero a minha vida ótima. Não poderia ser melhor. Moro sozinho e tenho apenas uma auxiliar que me oferece todo o conforto, inclusive com as presenças permanentes de meus genros, sobrinhos, netos e filhos”.

“Tenho em meu acervo uma série de homenagens recebidas das mais diversas entidades de Uberlândia, mas uma realmente me surpreendeu no dia 21 de março de 2017, quando fui agraciado como médico destaque pela Revista Almanaque, produzida pelo jornalista Celso Machado”.

“Foi uma noite inesquecível, como todos podem ver nas imagens fotográficas de Gleiner Mendonça. Sinceramente nunca havia me encontrado com tantos amigos”.

Em seu discurso após receber essa bonita homenagem produzida pelo artista José Neto, o Dr. Hermilon disse: “Senhor presidente do Cajubá Country Club, senhores diretores, associados, convidados e meus amigos do Hospital Santa Clara. Eu gostaria de parabenizar o nosso colega amigo Celso Machado, ilustre jornalista e redator da revista Almanaque. Ele teve a iniciativa genial de homenagear o idealizador Oscar Moreira, e seu filho, aqui presente, Aloysio Moreira que foram os construtores deste clube que muito nos honra. Parabenizo também a diretoria do clube que atuou como estimulante para este evento. A emotividade que sinto neste momento e a idade avançada que tenho não me permitem falar tudo que eu gostaria de continuar dizendo. Por isso eu vos digo apenas, muito obrigado por tudo e a todos os presentes. Obrigado mesmo”.

“Uma coisa que eu gostaria também de registrar é o carinho e o amor que tenho por todos que fazem parte da família Santa Clara. São pessoas que vou guardar na memória, especialmente aqueles que já partiram, mas deixaram aqui as suas lembranças. Aos atuais diretores, médicos, enfermeiros e equipe administrativa tenho que agradecer e dizer que é através da Dystak’s que encontrei oportunidade de abraçar a todos eles e dizer muito obrigado de coração, sem o rancor da inveja e muito menos do ciúme de muitos pelo que não puderam realizar, mas estão vendo agora que tudo é possível quando se quer.

Muito obrigado à Dystak’s, a equipe do Mauro Mendonça, aos leitores e investidores que jamais podem deixar de investir em uma mídia tão importante para divulgar as grandezas de Uberlândia e região. Estou aposentado com 93 anos de idade e a Dystak’s, tem 31 que mostra as grandezas uberlandenses.

Enfim, agradeço a Deus por tudo que consegui, e o menino pobre nascido em Sacramento tem que dizer aos leitores e amigos: Obrigado sem o menor rancor e inveja de ninguém.

Obrigado família Santa Clara. Obrigado população ordeira de nossa região. Um abraço fraterno para toda a minha família”, concluiu o Dr. Hermilon Correa.

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