Comércio varejista tem perdas significativas com a crise

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Segundo pesquisa da Confederação Nacional do Comércio, Minas Gerais está entre os três estados mais atingidos pela crise no Brasil, com relação ao fechamento de lojas do comércio varejista (mercado formal).

Em Uberlândia, não foi diferente, segundo a Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL), no ano de 2016 em comparação ao ano de 2015 houve um crescimento de  29% no número de estabelecimentos comerciais associados à entidade que encerraram as atividades.

Os segmentos mais representativos em 2016 das empresas que encerraram as atividades no quadro de associados foram prestadores de serviços na área de comunicação com  21% e no comércio varejista de roupas, calçados e confecções com 16%.

Quanto à inadimplência, a superintendente da CDL afirmou que o percentual de devedores incluídos no banco de dados aumentou. Foi de 6,67% em janeiro de 2016 em comparação a janeiro de 2015. “Este é um crescimento esperado para início de ano, período que a população tem muitos compromissos assumidos para pagar”, explicou Lécia Dias Queiroz.

A Junta Comercial do Estado de Minas Gerais que tem por finalidade executar e administrar, no Estado, os serviços próprios do Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins, mostra o cenário do comércio varejista formal do estado e de Uberlândia.

Segundo informações da assessoria da JUCEMG, a atividade que mais fechou e abriu tanto em Minas Gerais quanto em Uberlândia, foi o comércio Varejista de Artigos do Vestuário e Acessórios. Já com relação à constituição de empresas, cresceu em nível estado, e houve declínio em relação ao município, comparando-se os resultados de janeiro de 2016 com janeiro de 2017. Nesse período foram constituídas em janeiro de 2016 no comércio varejista de Minas Gerais 664 empresas, e 41 foram abertas em Uberlândia.  Já em janeiro de 2017 foram constituídas no comércio varejista do estado, 707 empresas e abertas somente 25 empresas em Uberlândia.

Nesse contexto várias pessoas ficaram desempregadas e tiveram que buscar alternativas de trabalho para o sustento da família. Sendo assim muitos dos desempregados começaram a trabalhar por conta própria, tanto no mercado informal quanto os que se formalizaram. Inclusive várias pessoas deixaram de atuar em suas áreas de formações para arriscar em negócios mais rentáveis financeiramente.

Diante desse cenário as classes C, D e E que tiveram um boom na última década quando a economia do país estava aquecida, com o aumento do consumo das famílias e do PIB, mudaram de classe social. Agora nessa fase do mercado, com o aumento do desemprego, a renda caiu, e o custo de vida aumentou. Milhões de famílias pertencentes à classe C foram empurradas para as classes D e E.

Negócios promissores:

Conforme pesquisa realizada pelo SEBRAE, visando mapear os negócios promissores de 2017, a instituição analisou os segmentos com maior taxa de natalidade em 2016, por sinalizarem uma maior demanda. Entre as atividades mais promissoras para 2017, destacam: alimentos e bebidas, vestuário, serviços de saúde, produtos e serviços inovadores, serviços de reparação, estética/beleza e higiene pessoal, serviços especializados, informática e construção.

O presidente do SEBRAE nacional, Guilherme Afif Domingos afirmou que a população continua crescendo e, mesmo em tempo de crise, ela não deixa de consumir esses produtos e serviços. “As pessoas buscam alternativas mais baratas, mas o consumo permanece. É importante o empresário acompanhar esse movimento da economia para ter mais sucesso”.

Nesse cenário, o consumidor está barganhando muito na hora de comprar e se torna cada dia mais exigente. Faz muitas pesquisas antes de decidir a compra. Sendo assim, o que era barato e saía caro, virou atrativo, e está na moda. Possibilitando que os compradores arrematem produtos bons a preços baixos.

Como todos os setores estão sentindo o reflexo da crise, os empresários estão buscando atender ainda mais a demanda dos consumidores. Muitos para não perderem negócio estão cedendo às contrapropostas e outros para não saírem no prejuízo estão lançando promoções conforme a concorrência. Mas os que têm altos valores de custos e despesas fixas, ao analisarem o resultado financeiro (lucro líquido), percebem que estão pagando para trabalhar e preferem fechar as portas.

Aquela velha história de diferenciação (produtos de valores mais elevados devido à qualidade superior), não estão em alta como antes. Estes produtos não deixaram de existir, e nem de ter demanda, mas dependendo do tipo de produto, podem ser bastante afetados pela crise financeira, porque o custo é alto, e nem sempre conseguem ser vendidos com facilidade, até mesmo porque tem um público específico, diferenciado. E esse público tende a diminuir devido à fase econômica do país, que faz com que as pessoas busquem por produtos intermediários visando economizar. O esbanjar se torna cada vez mais raro.

Em Uberlândia existem vários comércios na área de alimentação, mas nota-se quantidade significativa de food trucks, lanchonetes itinerantes, que estão disponíveis na cidade, tem até truck de bebidas, e outros atrativos para os clientes que querem consumir com praticidade, pagando menos, e economizando com taxas de serviços.

Todos pagam impostos sobre os produtos consumidos, então para conter gastos, tentam economizar até com a compra de alimentos e outros itens domésticos. As pessoas físicas estão comprando ainda mais nos atacarejos, são lojas que tem produtos no atacado e no varejo.  Pois normalmente encontram itens com valores mais acessíveis do que nos supermercados, principalmente se comprarem em maior quantidade. Ótima opção para compras em grupo. Prática comum entre micros e pequenos empresários, depois atingiu as classes C, D e E, posteriormente até as classes A e B.

Além de economizar com esses produtos, as pessoas estão buscando economia em todos os setores. As reuniões entre amigos e familiares estão mais restritas, e com cardápio básico, sem falar que cada um leva alguma coisa. Raramente alguém banca a conta como acontecia, e todos estão se conscientizando disso.

Os que têm filhos nas escolas gastam boa parte da renda com materiais didáticos, embora algumas escolas públicas forneçam os livros. Sem falar os gastos com transportes, e os que colocam os filhos nas escolas privadas desembolsam ainda mais, tem a despesa com mensalidade. Mais um motivo para tentar pechinchar com os sebos, aproveitando o que der.

Com relação ao consumo de roupas, calçados, bolsas, eletrônicos e outros itens, estão sendo reaproveitados, bom para os prestadores de serviços de reforma.  E para os comércios que trabalham com produtos de boa qualidade a preços mais acessíveis, pois dependendo do valor do conserto optam por comprar novos.

Mas há produtos que não tem como deixar de comprar, pois não é supérfluo, é essencial, indispensável, os produtos farmacêuticos.  Mas dá para pechinchar, e escolher onde tem os melhores preços. Resultado, muitas farmácias estão sendo abertas na cidade, principalmente nos bairros, que chega a ter várias unidades de única rede. Em Uberlândia existem 422 farmácias ativas.

Além do setor farmacêutico, outros setores ganham com a crise. No setor financeiro os empréstimos consignados têm bastante procura, não somente pela facilidade de ser menos burocrático por descontar em folha de pagamento, mas por oferecer taxas de juros mais atrativas, especialmente para aposentados e funcionários públicos. E quem trabalha no mercado de consórcio, também tem a possibilidade de vender mais, devido às altas taxas de juros de financiamentos para a compra de bens, como veículos e imóveis, as pessoas optam pelo consórcio, porque pagam a taxa administrativa e não os juros de bancos e financeiras.

Apesar dos problemas enfrentados devido à crise econômica, a população está tentando se adaptar, diante das coisas boas e ruins. Buscam soluções, alternativas para reverter o quadro negativo em positivo, e sair dessa com mais experiência. Cada um se vira como pode e corre atrás das oportunidades, os que não estão tendo espaço no mercado, estão usando a criatividade para conseguir uma fatia em seu setor de atuação, para ganhar o seu dinheiro e garantir o sustento da família.

CDL Uberlândia

Apesar da crise, o número de associados da Câmara de Dirigentes Lojistas aumentou. De acordo com a superintendente da CDL, Lécia Dias Queiroz, o setor sinaliza uma recuperação no que diz respeito à base de amostra, quadro de associados. “Na base de associados à entidade teve um crescimento de 6% comparando 2015 com 2016. E especificamente em janeiro de 2016 comparado com janeiro de 2015, foi de 21% o crescimento”.

Hoje a CDL Uberlândia é a segunda maior do estado e está entre as cinco maiores do país. Tem inscritos na entidade 3,8 mil associados, um banco de dados significativo e oferece soluções práticas e econômicas aos associados. Dispõe de um espaço moderno com toda a estrutura necessária para eventos sociais e empresariais.

O início de tudo

Tudo começou quando o idealizador Orlando Pinto Guimarães que era estudante do curso de ciências econômicas e atuava no comércio de Uberlândia, viu a necessidade de fazer algo para melhorar o setor lojista com relação a informações e a efetivação de vendas. Nesse contexto ao trocar ideia com Aldo Prudente da Silva então secretário executivo da ACIUB na época, e conhecer o movimento de CDLs no país, liderado pela então Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas, ele conversou com empresários e marcou um encontro na sede do SENAC em Uberlândia, com a participação de 14 lojistas. Nesse momento foi cogitada a ideia da criação de uma Câmara de Dirigentes Lojistas, no ano de 1974. Mas como a quantidade de lojistas que compareceram foi considerado insuficiente para tomar uma decisão tão importante, então à decisão foi adiada, e Orlando Pinto continuou com o trabalho de conscientização entre os demais comerciantes. Mas somente em 19 de fevereiro de 1977, após uma segunda reunião no SENAC, com 19 lojistas, Orlando Pinto Guimarães com o apoio do empresário José Neuton dos Reis Ângelo e dos outros participantes, decidiram fundar a CDL, com aquele quórum de pessoas. Considerando que seria essencial a criação da entidade para fortalecer o setor.

No dia 19 de fevereiro de 2017, a CDL completou 40 anos bem sucedidos, motivo de comemoração para os associados e a sociedade uberlandense que pode contar com o apoio da entidade e seus dirigentes, que trabalham em prol dos empresários do setor e da sociedade como um todo.

Assim a população está vivendo e mesmo enfrentando as crises políticas que causam grande desconfiança fazem com que o giro de negociações, trocas, permutas e outras atividades, acabem movimentando o comércio e aumenta a esperança de que todos podem voltar a sorrir, como é o desejo do prefeito Odelmo Leão.

Veja abaixo os quantitativos refe­rentes às constituições de empresas do comércio varejista de Uberlândia e de Minas Gerais, período – janeiro de 2016 a janeiro 2017.

 

Mês MG Uberlândia
jan/16  664  41
fev/16  689  38
mar/16  893  52
abr/16  755  45
mai/16  797  44
jun/16  862  39
jul/16  779  27
ago/16  690  30
set/16  896  40
out/16  812  47
nov/16  747  25
dez/16  669  33
jan/17  707  25

Fonte: ASCOM – JUCEMG

 

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